
Não sou uma pessoa organizada por excelência. Mas, também, não sinto prazer em trabalhar dobrado. Por isso, faço um esforço supra-humano para ter e manter a minha vida em ordem. Divido minhas roupas em cores e as coloco sempre nas mesmas partes do armário. Mantenho todas as contas em pastas. E os objetos nos seus lugares. Por amor a mim mesma desenvolvi critérios de sobrevivência ( consigo achar quase tudo, ainda que no escuro absoluto).
Mas, não sou uma pessoa organizada por excelência: amo, odeio, desejo, repudío de maneira desordenada. Tanto quero sair do país, quanto fazer concurso público. Sou paradoxal nos mais íntimos desejos.
Eu sou contra o voluntariado. Acho que ser "Amigo da escola" é não valorizar o profissional, porém sou há três anos professora de uma ONG e acordo às 06:00h da manhã, de sábado, para dar aulas sem receber um trocadinho. Comporto-me de maneira possessiva, ciumenta e egoísta, contudo, não vejo mal algum na idéia de freqüentar clubes de swing. Sou vegetariana, porque tenho compaixão pelo sofrimento do animal, mas tenho coragem de comprar bolsas de couro. Não pago cd pirata, mas baixo música da internet. Reconheço que os meus sentimentos não se encaixam em nenhuma forma de ordenação. Eles desconhecem a harmonia das cores, os limites das gavetas e nunca se dobram à ferro e fogo.
O dia de hoje eu percebi que tento manter o mundo ao meu redor organizado, porque sou incapaz de fazer isso com que sinto. Eu seria o caos sem minhas etiquetas, pastas e cabides. Reconheço lucidez nos clipses que me cercam. Já que, dentro de mim, não há nenhuma forma para conter a desordenação do meu pensar.
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