Olá! Sou P1 de Língua Portuguesa da 7ª CRE ( Taquara) e preciso trabalhar em Campo Grande ou Bangu. Caso saiba de alguém interessado em fazer permuta, por favor envie e-mail para marcialetras@hotmail.com.
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Nada está definido, mesmo quando o pijama já foi trocado, pode haver alguma mudança nos planos dessa coisa imprevisível que é a vida. Não sucumbir perante ela é o desafio. Parece que as coisas estão caminhando, correndo e de repente uma notícia, uma dor, um telefonema informa que apesar de toda a boa alimentação, dos bons hábitos, da poupança algo saiu muito errado.
As pessoas descobrem o câncer, a chuva arrasta o carro, o governo baixa medidas, as pessoas que nos interessam não ligam, o emprego dos sonhos finalmente acontece, porém numa cidade distante, os parentes morrem dias depois de terem feito exames rotineiros e há traições nas relações humanas. Alguns ficam inteiros frente aos bombairdeios e imprevisibilidade da vida, outros bêbados, compulsivos, soberbos, enclausurados. Eu escrevo e sonho, tomo calmante, faço terapia, escrevo. Tento desfiar os sentimentos e ver que o imprevisível não é um inimigo oculto, ele é covarde, mas não é inimigo. Ele é rápido, sagaz, mas não me odeia. Ele me faz criar alternativas, porque se eu não as crio, sou engolida pelo imprevisto, pelo câncer, pela chuva, pelo dinheiro, morta a cada nova traição.
É preciso dialogar com os sentimentos, chamá-los para perto, olhar firme para eles. Sentimento é forte, entretanto dominável. A ira pode virar fé; o desdém, compaixão; o medo, criatividade e a preguiça, raiva. Gosto da raiva, o ódio me cega, contudo a raiva me tira do lugar, me traz a palavra certa. Muita raiva me tira as forças. Eu preciso de uma dose diária de raiva, só o suficiente para que eu não me vire para o lado na cama e queira continuar deitada com auto-piedade.
E se os horários para todos os meus compromisso são incompatíveis, e se o tempo todo preciso fazer escolhas, e se as relações não se dão no meu molde, encaro firme a frustração. Assumo que perdi. Aprendi a perder, não deu, não consegui. Escolho sentir o que tiver que vir, mas sinto com moderação.
Eu preciso comprar pilhas para a minha digital, porque não dou conta de guardar na memória e no espírito as emoções dessas férias.
Desde o dia 23 de dezembro estou em casa, no Rio, e a cada dia uma coisa boa e nova me ocorre. Ando um pouco tímida com toda essa felicidade, pq o mundo tá sofrido com suas catástrofes, terrores, corrupções e eu ainda assim sinto escorrer pelo canto da boca um fio de duçura, que pinga no vestido florido e inunda a sala.
Ah, felicidade descabida! Como eu queria deprimir como Clarice, vagar na consciência de Adélia Prado, mas nessas férias, apesar de todas as dores, da grana sempre controlada, do peso que não abaixa, das coisas que preciso ler, ainda assim, todos os dias me sinto cada vez melhor.
Fazer o quê? Vou comprar pilhas.
Ao final da labuta docente de sexta-feira, eu me
preparei para experimentar uma situação bem diferente: pela
primeira vez ficaria sozinha numa casa, depois de quase um ano
saltitando de república em república na cidade que mais cresce em
qualidade de vida no Brasil segundo a FIRJAN , ou seja:
Macaé. Fui dormir logo após a novela e às 5:45 da manhã de
sábado os meus olhos abriram, implacáveis, chamando-me para
não sei o quê. Relutei, revirei, mas não consegui permanecer no
sofá-cama recém adquirido. Enfim, levantei e fui preparar minha
deliciosa vitamina de banana com aveia e linhaça. Li, arrumei
coisas, respondi todos os e-amils do mês inteiro, almocei miojo,
claro, e quando o dia já estava quase quase findando fui ao único
super -mercado que conheço na cidade ( o que siginifica andar
uns 15 minutos). Comprei tudo o que havia surrupiado da minha
companheira de casa, para que ela nem percebesse os meus
assaltos aos seus biscoitos durante o sábado. Mas, no único mercado
de grande porte que conheço, não havia a marca exata do
biscoito que ela havia deixado, então comprei o similar e
rezei para a distração dela a fizesse ficar confusa quanto ao sabor
do biscoito de sexta e o que ela havia de encontrar na segunda.
Recoloquei quase tudo no mesmo lugar, ainda confiante de que ela
por ser muito distraída, iria achar o sabor diferente, porém
gostoso.
Na volta para casa, em torno do 7º minuto de caminhada, meu
telefone macaense toca e ...Uma colega de trabalho me convidando
para saborear um camarão com vinho na casa dela. Uma pessoa
gentilíssima, que por saber da minha estada na cidade, se mostrou
preocupada, companheira e jamais mereceria ouvir a verdade de mim a
respeito da minha repulsa quase mortal por camarões, acrescida por
minha abstinência total de álcool devido a minha dieta
hipocalórica. Comprei um garrafa de Coca-cola Zero e fui amarradona
para a casa da amiga. Ao ser carinhosamente recebida por ela, fui
notificada de que a reuniãozinha seria na casa da vizinha ( para os
macaenses " casa da vizinha" trata-se de um barzinho, no bairro da
Aroeira, mas para esse relato, não, é o sentido literal. Fui
recepcionada por todos com enorme acolhimento e quando chegou a vez
de beijar a dona da casa, percebi que ela estava um
tanto...alterada, serelepe, ansiosa, eufórica devido as
perturbações do álcool. Se eu tivesse contando isso pessoalmente
diria: trêbada, mas como estou escrevendo, vou dizer
alcoolizada.
Após dois minutos de conversa comecei a ficar mais à vontade
com o povo da casa da vizinha. Sempre me esquivando do
camarão, que exalava seu cheiro pela casa, pelas pessoas, por tudo
e do vinho, da ceveja, da caipirinha, da Ice, de tudo o que tivesse
álcool. Até que a dona da casa, ou a vizinha, como preferir,
perguntou: " E aí...o que tá achando de Macaé". Bom, essa é a senha
que desencadeia tudo o que penso da cidade. E eu disse: sem
estrutura, sem táxis circulando, sem transporte público de
qualidade, sem movimento cultural que me agrade, caríssima , sem
saneamento, minha casa foi assaltada, minhas amigas foram
assaltadas, ando com medo, mas há muita gente bacana à
beça, que me ajuda a superar essas pequenas queixas. ( Da próxima
vez que alguém desencadear a senha, vou começar pela última
frase). A vizinha da minha amiga é macaese e não ouviu a parte que
elogioas pessoas...Falou aos berros que nenhum lugar será bom , se
a pessoa não estiver bem. Que é necessário buscar a felicidade
interior, pois ela já esteve na Europa, nos EUA e que em qualquer
lugar foi feliz ( Claro, né?). E o marido da vizinha da minha amiga
completou: as pessoas não gostam de Macaé, pq não tem amigos....Sáo
os amigos e a família que fazem falta.
Eu respondi: não. Meu caso não é esse, não gosto é da falta de
estrutura.
Passados uns minutinhos, a vizinha perguntou-me: vc é crente? E eu,
apenas, sorri! Vc precisa beber, ela disse. ( A minha amiga
interrompeu: ela tá fazendo dieta) e a vizinha continuou: mas seu
médico é muito ruim, mesmo! Eu tb tô fazendo dieta, olha, olha,
olha, enquanto mostrava a barriga lipoaspirada e me dava conselhos
a respeito de exercícios fisicos para perder peso. Depois, ela me
levou para dentro da casa e me fez ver várias fotos, umas antes da
cirurgia outras pós lipo. Não feliz, a mulher levantou a blusa e me
mostrou os seios refeitos e eu juro que achei que ela fosse me
pedir para apertá-los. Mas, graças a Deus, era só para ver,
mesmo.
Quando eu fui liberada para voltar ao convívio dos demais
integrantes da casa, ela apareceu com uma batida de coco e disse:
batida sem álcool, batida sem álcool e por fim de repetir
muitas vezes a frase " batida sem álcool" entregou-me uma taça.
Quando eu cheguei a mesma perto da boca, que graças a Deus fica
próxima ao nariz, reconheci o cheiro do álcool e minha amiga (
aquela que me ligou) afirmou perguntando: " vc
colocou Absolut?" e eu passei a taça para o marido da minha amiga,
mesmo sob os urros de protesto da vizinha. Que parecia determinada
a me embebedar.
A essa altura eu lembrava da novela que eu estava perdendo e por
certo, ficava com o semblante mais contrariado.
A conversa foi declinando até que todos resolveram encerrar a
noite. Enquanto eu me preparava para voltar, já do lado de fora da
casa da vizinha da minha amiga, ouço o conselho: " vc precisa ser
feliz! Minha mãe é budista...Vc precisa ser feliz"
Eu me abstive de responder e sorri, acenando para a jovem
senhora.
Quando eu cheguei em casa graças à carona da amiga, que eu já havia
afirmado ser uma pessoa incrivemente gentil, combinei via
MSN de caminhar com outra companheira de trabalho, na praia
dos Cavaleiros. E parti para o banho e cama, exausta daquele sábado
com cheiro de camarão e bebidas.
NO domingo pela manhã caminhamos, conversamos e resolvemos almoçar
num restaurante de frente para o mar. O motivo que me fez ficar em
Macaé foi, exclusivamente, economizar, mas para comer, sempre há um
trocadinho. Lá fui eu, para o bendito restaurante beira-mar.
Ao chegar em casa, com a bateria refeita, fui lavar roupa à
mão, pois a máquina está quebrada ( claro!). No finzinho do meu
domingo, quando eu estava lendo os textos que preciso ler, percebo
um vulto, seguido de um assovio. Olho para o alto e um morceguinho
entrou na casa, pela cozinha, instalando-se no banheiro. Eu
fechei aporta do banheiro correndo e acendi todas as luzes da
casa, que se trata de um quarto e sala, logo todas as luzes em
questão, são apenas mais um cômodo.
Eu falei que havia lavado roupa, né? Então, deixei uma blusa
secando no banheiro, porque não há espaço físico para comportar
tudo, ainda que o meu tudo seja pratiacamente nada, mais ainda
assim, deixei uma pecinha lá. Para quê? Para passar vergonha, pois
quando o morcego entrou, eu o tranquei no banheiro junto com a
blusa recém lavadas e fui para a janela à procura de um homem
qualquer a fim de matar o morcego. Depois de meia hora, entra no
prédio o namorado da minha vizinha. Todas as noites ele entra, fuma
unzinho com o cunhado e vai embora. Mas, nessa noite de
domingo, o meu primeiro domingo sozinha numa casa em Macaé, ele
entrou e foi subtamente interpelado por mim: " oi....posso pedir um
favor". Ele veio ao apê, trancou-se com uma vassoura no
banheiro e não achou o morcego.
Por sorte, eu pedi o favor antes dele fumar o seu
baseado diário, porque ele poderia simplesmente entrar numa nóia
com o morcego e eu ficaria com dois problemas no banheiro: o
morcego e o drogado.
Assim sendo, terminei o dia questionando se fiz uma boa
escolha em ficar em Macaé com o intuito de conter os gastos, pois
saí desse final de semana, completamente
DESGASTADA.
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